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Passividade e inoperância do governo não pode continuar a condenar o interior ao abandono
Um ano após a tragédia dos incêndios de outubro, Fátima Ramos frisou que urge a construção de um país diferente, mais competitivo e menos assimétrico.
“Segunda-feira fez um ano sobre a tragédia dos incêndios que assolaram o Centro do País. A gravidade dos acontecimentos, o falhanço e a inoperância demonstrada pelo Governo jamais poderão ser esquecidos. Poucos serão os exercícios de memória mais penosos e tristes. As lágrimas, os gritos, por vezes até o silêncio, evidenciavam o desespero. Num instante desapareceram famílias, amigos, memórias, casas, recordações de gerações”. Foi com estas palavras que Fátima Ramos a declaração política, esta quarta-feira, em nome do PSD.
Para a deputada, “Portugal é hoje um país centralista, muito envelhecido, com baixíssimas taxas de natalidade. Lisboa cresce e o resto do país empobrece.” Sublinhando que o Estado falhou, a parlamentar lamentou que hoje, como há um ano, “o governo e a maioria que o suporta continua a acreditar que a troca de ministros, tudo irá desculpabilizar. Quase 100 pessoas morreram. Abandonadas pelo Estado. Condenadas à sua autoproteção e a um inaceitável salve-se quem puder. Floresta, casas, fábricas e empregos desapareceram no inferno dantesco a que fomos condenados”.
De seguida, a parlamentar recordou a descoordenação, o sofrimento e a dor que se sentiu naqueles dias. Recorda a deputada que “dois meses antes do verão, o governo, de forma inconsciente e irresponsável, tinha revolucionado a estrutura nacional da proteção civil, dando prioridade aos boys. Dispensaram meios aéreos, de vigia e de combate, agravando o cenário provocado pelas condições climatéricas. Falharam. Até hoje, nada de estrutural se modificou. No caso da prevenção, no ordenamento do território e na definição de uma eficaz política florestal, o governo comporta-se de forma irracional, não percebendo as dificuldades dos pequenos e médios proprietários, perseguindo a propriedade privada. Esquecem-se que as poucas pessoas que restam nestes territórios, são maioritariamente pobres e idosas, sem recursos para as limpezas. Gente que, depois da tragédia, continuou meses a fio sem comunicações devido à fraqueza do estado face aos grandes grupos económicos. Persistem fábricas e inúmeras casas por recuperar”.
Lamentando que o Primeiro-ministro continue a permitir que haja portugueses abandonados à sua própria sorte, Fátima Ramos recordou que “a cegueira ideológica e estatizante desta maioria de esquerda, faz o governo viver longe das Organizações não governamentais sem fins lucrativos onde milhares de portugueses se mobilizaram para recuperar Portugal”.
Um ano depois, a social-democrata considera que exige-se uma nova realidade que todos envolva. “A sociedade precisa de proteção e de menos obstáculos. Urge a construção de um país diferente, mais competitivo e menos assimétrico.
Neste desafio as Instituições não lucrativas devem ser acarinhadas. Podem ser bons parceiros na descentralização e apoios de proximidade. Do Estado, quer-se o exemplo. Pela passividade e inoperância do governo, não pode o interior continuar condenado ao abandono. Que se comece já, sem hesitações e com coragem, dando o exemplo da transferência do Tribunal Constitucional, para Coimbra. Que se ponderem e estudem outras transferências e que se atraia investimento produtivo. Portugal impõe uma alternativa séria e credível, reformista em vez de trapezista, capaz de o mobilizar e apoiar na exigência de vencer. A memória do sofrimento e o exemplo de superação do nosso povo, não permitem que se continue a falhar”.
A terminar, Fátima Ramos apelou a que o governo dê uma resposta mais pronta às populações da Região centro que este fim-de-semana foram afetadas pelo Furacão Leslie.

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