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“O PSD não permite que se volte a esquecer as regiões e as populações do interior”
Nas Jornadas Parlamentares do PSD, dedicadas ao interior, Fernando Negrão sublinhou que o interior pode e deve ser uma terra de oportunidades para todos”.

Na sessão de abertura das Jornadas Parlamentares do PSD, dedicadas a “afirmar e valorizar o interior”, Fernando Negrão começou por recordar que estes trabalhos se iniciam um ano após ter ficado patente para todos, de uma forma trágica e dolorosa que ninguém julgava possível, como em pleno século XXI continua a existir um Portugal esquecido e abandonado, que é o Portugal interior. “Foi isso que nos gritaram, no mais fundo da nossa alma, as tragédias de Pedrógão Grande e, quatro meses depois, da Região Centro. O primeiro sinal que queremos dar ao País com a realização destas Jornadas Parlamentares na Guarda (um dos distritos mais fortemente fustigados pelos incêndios de outubro, nomeadamente nos concelhos de Seia e de Gouveia) é que o PSD não esquece nem permite que se volte a esquecer as regiões e as populações do interior. Iremos fazê-lo numa perspetiva positiva, construtiva, fornecendo contributos válidos e sérios para a afirmação e a valorização do interior”.
Sublinhando que o “interior pode e deve ser uma terra de oportunidades para todos”, o líder parlamentar do PSD referiu que este momento não deixará de ser uma oportunidade “para chamar a atenção para o défice que persiste, da parte do Estado português, de uma verdadeira política para o interior”. “Uma política inclusiva, que promova um desenvolvimento equilibrado e harmonioso. Que ajude a fixar as pessoas no interior em vez de as afastar. Que crie condições para que ficar seja uma opção realmente viável e gratificante para as pessoas que aqui escolhem viver. Uma política que, se não discrimina positivamente, ao menos não discrimine negativamente. Uma política que não deixe morrer as aldeias e as povoações ao abandono, mas que tenha o engenho de as revitalizar e rejuvenescer. Uma política que valorize e aproveite a sabedoria dos mais velhos, mas que saiba cativar as gerações mais jovens. Em suma, uma política que encare o interior como uma mais-valia para o todo nacional, e não como um peso que se tem que carregar”.
De seguida, o social-democrata enfatizou que o desinvestimento deste Governo no interior tem várias faces e assume várias formas. “Na Saúde, o Governo diz que o PSD faz políticas de casos quando fala dos hospitais que têm problemas, dos centros de saúde que falham, das cirurgias que não se realizam por falta de recursos, humanos e materiais, da falta de condições dos serviços de urgências, da forma indigna como os doentes são tratados em corredores de hospitais e contentores. O governo diz que são casos, porque, no geral, acha que a Saúde está muito melhor agora do que estava em 2015. O que é um verdadeiro conto de fadas. Este ano, já assistimos a inúmeras greves de médicos, de enfermeiros, de técnicos de meios complementares de diagnóstico que fizeram os hospitais do país parar. As adesões à greve têm números inéditos e nunca tantas consultas e cirurgias programadas foram canceladas. São apenas casos, diz o governo. O governo pode usar a narrativa que quiser, a maquilhagem que entender, mas os portugueses sentem no dia a dia quando o Estado lhes falha. E os números não mentem: o investimento no SNS caiu 27,5% de 2015 para 2017. São menos 40,4 milhões de euros. A dívida do SNS aumentou 54% de 2015 para 2017. São mais 769 milhões de euros. A dívida vencida do SNS a fornecedores aumentou 82% entre 2015 e 2017. Os pagamentos em atraso dos hospitais mais do que duplicaram, passaram de 451 em dezembro de 2015 para 1024 milhões de euros em fevereiro de 2018. Fica assim claro qual é o SNS que o PS quer para o país”.
De seguida, Fernando Negrão recorreu a mais dois exemplos exemplificativos de como este Governo não acautela, não cuida nem quer saber dos interesses ou das necessidades das populações do interior: a entrada da Santa Casa no capital do Montepio e a recapitalização da Caixa Geral de Depósitos.
“No caso da entrada da Santa Casa no Montepio, operação à qual o PSD desde o início se opôs, pode estar em causa, muito simplesmente, a capacidade futura daquela instituição continuar a apoiar as muitas obras sociais que apoia desde sempre por todo o País. Todos sabemos como esse apoio é particularmente precioso e necessário nas regiões do Interior, onde a ajuda do Estado muitas vezes não chega ou chega deficientemente. Ora, essa é a missão e a razão de ser da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, uma instituição tutelada pelo Estado português: ajudar os mais necessitados e os mais frágeis. Não é, como defende este Governo, ajudar os bancos em apuros. Da mesma forma o Governo não esteve preocupado com as consequências da muito mal explicada necessidade de recapitalização em cerca de 5 mil milhões de euros da Caixa Geral de Depósitos. Apesar dos pedidos insistentes do PSD, ainda hoje não se sabem das razões que levaram a essa recapitalização, ou seja, quem foram os grandes devedores que nunca pagaram, por que razão nunca o fizeram, e quem foram os responsáveis na CGD por isso ter acontecido. O Governo sabe que não há almoços grátis. Mas todos nós sabemos para quem é que, a seguir, paga a conta”.
A terminar, o líder da “bancada laranja” anunciou que o PSD vai levar a debate, no próximo dia 27, uma proposta que visa uma nova Política para a Infância. “Uma proposta com visão de futuro, pensada com profundidade e verdadeiramente abrangente, que toca a área social, a saúde, a economia e a competitividade, a área laboral e, naturalmente, as próprias políticas para o interior. Esperamos que os restantes partidos, a começar pelo Partido Socialista, tenham a mesma abertura de espírito para o diálogo e o mesmo sentido de responsabilidade do PSD, e possam assim por o desenvolvimento e a sustentabilidade do País à frente das suas próprias agendas e interesses”.

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