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“Este é um governo sozinho e esgotado”
Hugo Soares afirmou que em questões estruturais o governo não pode contar com BE e PCP e questionou António Costa sobre o Infarmed e sobre o “flick flack à retaguarda” do PS em relação ao imposto das renováveis.
No debate quinzenal com o Primeiro-Ministro sobre “Coesão Social e Redução das Desigualdades”, Hugo Soares confrontou António Costa com o mais recente estudo publicado sobre a forma como Portugal lidou com as desigualdades sociais no período mais difícil da crise. Segundo esse estudo, refere o líder parlamentar do PSD, «Portugal era um país com muito maiores desigualdades antes da crise e, tendo sido obrigado a apertar o cinto, conseguiu fazê-lo protegendo os elementos mais vulneráveis da sociedade». Quer isto dizer, adianta o deputado, que desde 2014 que a desigualdade na distribuição de rendimentos e a taxa de intensidade da pobreza vinham a diminuir. Frisando que neste aspeto o PSD “não leva lições de ninguém”, Hugo Soares afirmou que combater as desigualdades é também criar condições nos serviços públicos para que os portugueses possam aceder e ter neles aquilo que esperam. Nesse âmbito, o social-democrata questionou ao Primeiro-Ministro se tem “estado alerta” para as chamadas de atenção relativamente ao surto da gripe e se os portugueses podem estar descansados relativamente à preparação deste período mais difícil.
Outro dos temas levado a debate por Hugo Soares foi a transferência do Infarmed para o Porto. Lembrando o anúncio que foi feito pelo Ministro da Saúde e um conjunto de declarações do governo que diziam “tudo e o seu contrário”, o deputado perguntou diretamente a António Costa se estamos perante uma intenção ou se se trata de uma decisão política de transferir o Infarmed para o Porto. “A leviandade e ligeireza desta tomada de decisão é um ultraje para as gentes do Norte e para as gentes do Porto. Quando se fala em desconcentração de serviços, em descentralização, estas matérias deviam ser pensadas e estudadas. E o senhor Primeiro-Ministro tem dado provas de que não faz uma coisa nem outra”, sublinhou.
Depois de acusar António Costa de não ter pensado esta matéria, o líder da “bancada laranja” confrontou o governante com a decisão da esquerda de chumbar a proposta do PSD de isenção de IMI para as habitações que arderam nos incêndios deste ano. “Queria-lhe propor um exercício. O senhor Primeiro-Ministro mora em Pedrógão Grande. A sua casa ardeu porque o Estado falhou e o mesmo Estado vai-lhe continuar a cobrar impostos por uma casa que já não tem. E eu queria-lhe perguntar se é justo ou injusto aquilo que os senhores aqui fizeram?”
A terminar, Hugo Soares abordou a “cambalhota” dos socialistas que alteraram a sua votação de sexta para segunda-feira, naquilo a que já ficou conhecido como o imposto sobre as energias eólicas. Questionando qual a razão que levou António Costa a ordenar à bancada socialista para que fizesse um “flick flack à retaguarda” e mudasse o seu sentido de voto, o parlamentar lamentou que o respeito pelos compromissos assumidos pelo Estado surja apenas como uma desculpa do governo neste caso e não como uma posição coerente do executivo. “A verdade é que nessa como em outras questões estruturais que são essenciais para o crescimento da economia, para a confiança dos investidores no nosso país, questões estruturais para o nosso futuro coletivo, este é um governo sozinho e esgotado. Essa é a questão que importa ficar: para aquilo que o senhor Primeiro-Ministro considera estrutural já não tem nem o apoio do BE, nem o apoio do PCP”, rematou.

06-12-2017 Partilhar Recomendar
Hugo Soares questiona o Primeiro-Ministro
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