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Tancos: passados três meses avolumam-se as interrogações
Costa Neves considerou que o que ocorreu é de uma gravidade extrema e exigiu respostas ao Ministro da Defesa.
No debate sobre o “Alegado Furto no Paiol de Tancos”, agendado pelo PSD, Costa Neves confrontou o Ministro da Defesa com um conjunto de questões para as quais, até ao momento, não há respostas: “o que aconteceu em Tancos? Quando e como foi assaltada a instalação militar? O que desapareceu e quem interveio? De quem é a responsabilidade operacional? De quem é a responsabilidade política?” De acordo com o social-democrata, passados três meses, em vez de respostas, avolumam-se as interrogações.
De seguida, o deputado recordou as declarações do Ministro, que afirmou que “«no limite, pode não ter havido assalto» nenhum, sublinhando o deputado que o que aconteceu é de uma gravidade extrema. “Estamos no domínio da Segurança Nacional, logo no núcleo das funções do Estado. Todos o referenciam: o senhor Presidente da República, as forças políticas representadas na Assembleia da República, numa raríssima unanimidade, o próprio Governo, os chefes militares, a opinião pública e publicada. Armas à guarda de quem nos guarda não podem, pura e simplesmente, desaparecer, muito menos nos tempos que correm”.
“Praticamente três meses depois do alegado assalto, está instalada a confusão total: o assalto terá acontecido a 28 de junho, mas, apesar da sua gravidade, o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas e o Ministro da Defesa Nacional são informados um dia mais tarde. Os Serviços de Informação da República tomam conhecimento do desaparecimento das armas pela comunicação social, pelo que a Unidade Anti Terrorista só reúne dois dias depois do presumível assalto. Não são confirmados ou desmentidos rumores de que entidades judiciais terão sido previamente informadas da possibilidade de assalto. A lista confidencial do material roubado aparece nos jornais. Após o alegado assalto, o Chefe do Estado-Maior do Exército fala em desleixo, assume humilhação e exonera os cinco Comandantes de Tancos, para que tudo se apure sem constrangimentos. Duas semanas depois, os exonerados são reconduzidos, certamente porque tudo se apurou. Dois distintos Oficiais Generais, Faria Menezes e José Calçada, nem mais nem menos do que o Comandante Operacional e o Diretor do Pessoal do Exército, passam à reserva”.
Perante este leque de ocorrências, Costa Neves desafiou o Ministro da Defesa a responder às perguntas: “Foi assalto ou simulação de assalto? Quando foi? Quem foi? Como foi? O que desapareceu? E de caminho identifique os responsáveis operacionais pelo que aconteceu e assuma a responsabilidade política”, rematou.

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