Rui Rio defendeu esta quinta-feira que o Governo deve canalizar mais investimento público para as áreas de soberania, depois de ter visitado uma “esquadra sem condições” em Lisboa. No final de uma visita de cerca de duas horas às instalações da 4.ª Divisão da PSP, na zona de Alcântara, Rui Rio disse ter escolhido uma “esquadra sem condições”, que replica muitas outras pelo país. “Quem lá vai dentro vê que as condições em que os polícias aqui trabalham são muito fracas, reconheço a razão da PSP quando critica a forma como trabalha”, afirmou, numa iniciativa que ocorre duas semanas após uma grande manifestação das forças de segurança em Lisboa. O líder do PSD defendeu que, desde que Portugal aderiu à União Europeia (em 1986, então CEE), “privilegiou muito o investimento público nas áreas que tinham uma participação comunitária”, o que não acontecia nem acontece nas funções de soberbia. “Portugal tem de fazer um esforço no investimento público também nessas áreas que não têm comparticipação comunitária, mas que estão muito degradadas. Temos de fazer uma reflexão e canalizar o investimento público para áreas de soberania, designadamente a segurança e justiça”, afirmou, dizendo referir-se também aos tribunais. Questionado se o PSD tenciona apresentar propostas nesse sentido, nomeadamente em sede orçamental, Rio defendeu que o partido apenas deve fazer propostas de “caráter simbólico”, depois de já ter afirmado noutra ocasião que o partido irá apresentar uma proposta “consentânea” com o compromisso eleitoral do partido de baixar o IVA da eletricidade de 23 para 6%. “Em sede de Orçamento do Estado, temos de ter uma atitude responsável, não fomos nós que ganhámos as eleições, não é o nosso programa que está a ser executado, eu não poso chegar ao Orçamento do Estado e pôr lá todas as propostas que estavam no nosso programa, isso tinha um caráter até demagógico”, defendeu. Para Rui Rio, “a oposição tem obrigação de fazer alertas e depois o Governo é que tem responsabilidade de saber como orienta o investimento público”. Rio chamou a atenção também para o problema de habitação de muitos polícias, que são de fora do local onde trabalham, e têm de arranjar alojamento com os “baixos salários” que ganham. “A PSP tem algumas instalações a preços razoáveis, mas de fraquíssima qualidade e pouca oferta”, apontou, apelando a que o Ministério da Administração Interna encontre uma solução para estes casos. Rui Rio, que é também líder parlamentar do PSD, esteve acompanhado nesta visita pelo vice-presidente da bancada Carlos Peixoto e pelos deputados eleitos por Lisboa Filipa Roseta e Pedro Rodrigues.
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