“Cada um de nós que está aqui sentado nesta sala vais ser avaliado pela capacidade de entender o que se está a passar hoje na sociedade digital. Vai ser avaliado não nas próximas, mas pelas próximas gerações. Por todo o lado se multiplicam alertas. Os cidadãos estão a falar com tecnologias do século XXI, os governos estão a ouvir com tecnologias do século XX e a responder com soluções do século XIX”. Foi com este alerta que Filipa Roseta iniciou a sua intervenção, esta quinta-feira, no debate Temático sobre Transição Digital. De seguida, a parlamentar recordou que no Programa do Governo o PS falha “ao ser pouco ambicioso ou omisso no estabelecimento e compromisso concreto firmado em números, com metas e prazos”, e falha também ao limitar “os desafios da Transição Digital a uma discussão de como se irão distribuir os fundos europeus”. Frisando que corremos o risco de no fim do frenesim da distribuição de fundos pode não ficar uma alteração significativa para as próximas gerações, a deputada refere que “é determinante estabelecer compromissos com metas e prazos. Estabeleçam um compromisso com metas e prazos de fundar uma escola digital para todos, dos 0 aos 100 anos de idade, menos focada em passar graus e mais determinada em desenvolver competências. Uma escola que entende que a inovação pode vir de qualquer pessoa. Uma escola digital não para competir, mas para complementar o sistema tradicional de ensino. Assumam o compromisso, com metas e prazos, para a plena digitalização do Estado até 2030. A tecnologia digital é a arma que precisamos para atacar de frente a burocracia e corrupção”, sustentou a parlamentar. Filipa Roseta vincou ainda a ideia de que o objetivo desta revolução tecnológica passa obrigatoriamente por melhorar a vida das pessoas, potenciar o humano sem o agredir nem substituir. A terminar, a social-democrata referiu que, contrariamente ao que se verificou em revoluções anteriores, “nesta a escassez de recursos materiais ou a nossa localização geográfica não é um problema estratégico que nos impeça de acompanhar o desenvolvimento. Só é preciso coragem política para firmar, cumprir e estabelecer metas e prazos.”
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