Os deputados do PSD eleitos pelo Distrito de Aveiro, bem como os deputados sociais-democratas na Comissão de Saúde, questionaram a Ministra da Saúde sobre o internamento de doentes em macas nos corredores do Serviço de Urgência do Hospital de Aveiro. Numa Pergunta dirigida à Ministra Marta Temida, os sociais-democratas referem que notícias recentemente veiculadas nos órgãos de comunicação social, dão conta de dezenas de doentes “espalhados em macas nos corredores” desse hospital, “alguns dos quais há dois e três dias, à espera de serem internados nas enfermarias”, justificando a administração do CHBV essa situação com o facto de “quase quatro dezenas de pessoas (…), apesar de já terem tido alta”, continuarem “internadas por não terem para onde ir.” Neste contexto, foi também noticiado que o Conselho de Administração do CHBV terá ativado um Plano de Contingência, no qual se prevê a abertura de camas adicionais no internamento, muito embora não haja sido esclarecido se algumas das camas que foram ou vão ser libertadas para o internamento provêm do adiamento de cirurgias programadas não urgentes. Para os sociais-democratas, “trata-se de uma situação inaceitável e que requer medidas urgentes para que seja rapidamente revertida, a bem da saúde, segurança e conforto dos doentes e das condições de trabalho dos profissionais de saúde, bem como da racional e eficiente gestão das unidades de saúde”. Assim, os deputados querem que a Ministra da Saúde responda às seguintes perguntas:
1. Reconhece o Governo a situação que se vive no Hospital de Aveiro em termos de internamento de doentes em macas nos corredores do respetivo Serviço de Urgência, bem como de internamentos inapropriados de doentes com alta clínica? 2. Que medidas tomou ou vai tomar o Governo para reverter as situações descritas na questão anterior? 3. Quantas camas de internamento foram disponibilizadas, até à presente data, na sequência da ativação do Plano de Contingência anunciado pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Baixo Vouga? 4. Pode o Governo garantir que nenhuma das camas de internamento que foram ou serão disponibilizadas na sequência da ativação do Plano de Contingência provêm do adiamento de cirurgias programadas não urgentes? 5. Como se está a processar o encaminhamento de doentes com alta clínica para a rede de cuidados continuados ou para outras soluções humanizadas que permitam a disponibilização de camas hospitalares para doentes agudos que carecem de internamento? 6. Que medidas tomaram os Governos do Partido Socialista, nos últimos 4 anos, para: a) Reduzir o número de doentes com alta clínica que permanecem inapropriadamente internados nos hospitais do SNS? b) Reduzir o número de doentes internados em macas, nos hospitais do SNS? 7. Que medidas pretende o Governo tomar para, nos hospitais do SNS, reduzir o número de internamentos sociais e para reduzir o número de doentes internados em condições desadequadas e desumanas?
No documento os sociais-democratas alertam ainda que a permanência dos doentes em macas nos corredores consubstancia “não só um tratamento desumano e degradante desses doentes, como acarreta um maior risco para a sua própria saúde, dado o maior risco de sujeição a infeções hospitalares, particularmente no caso de doentes idosos”.
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