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António Costa governa em permanente modo de “reality-show”
Fernando Negrão acusou o Primeiro-Ministro de falar de um “país virtual”, “para a fotografia”, “pintado de cor-de-rosa”, em que o Governo “fez tudo bem”, mas que é desmentido diariamente pela realidade.
Fernando Negrão acusou o Primeiro-Ministro de falar de um “país virtual”, “para a fotografia”, “pintado de cor-de-rosa”, em que o Governo “fez tudo bem”, mas que é desmentido diariamente pela realidade.
“O que aqui ouvimos do senhor Primeiro-Ministro, hoje e sempre, foram consistentes tentativas de vergar a realidade à narrativa fantasiosa de que o seu Governo fez tudo o que estava ao seu alcance e que fez tudo bem”, criticou Negrão, na intervenção de fundo do PSD no debate do Estado da Nação, o último da atual legislatura.
No entanto, para o líder parlamentar social-democrata, “esta narrativa de encantar é desmentida pela realidade todos os dias”, reiterando a acusação de governar em “permanente modo de ‘reality show’”.
O parlamentar apontou falhas na governação nas áreas da saúde, segurança social, educação, justiça, segurança, proteção civil ou nos apoios ao interior – que diz ter sido esquecido “porque não dá votos que cheguem para vencer eleições”. “Mas para o Governo está tudo bem”, ironizou.
O líder parlamentar do PSD incluiu no rol das falhas do executivo o roubo das armas de Tancos, considerando que se trata de uma “mancha indelével deste Governo”. “Hoje quando o Primeiro-Ministro diz que mantém a confiança no ex-ministro da Defesa, ninguém sabe ao certo se essa confiança se refere ao que Azeredo Lopes disse ou ao que o Azeredo Lopes não vai dizer”, apontou.
Negrão trouxe ainda ao debate o chamado ‘familygate’, dizendo que faz deste Governo “além de uma espécie grande albergue familiar, um caso de estudo mundial pelas piores razões”.
“A tal ponto que levou a embaraçar o próprio senhor Presidente da República numa reunião do Conselho da Europa há cerca de um mês”, afirmou, sem especificar a que situação se referia.
O líder parlamentar do PSD considerou que “nenhum dos grandes objetivos proclamados pelo Governo foram alcançados”, e até a recuperação de rendimento foi “engolida por impostos, taxas e tachinhas”.
“Para dar a alguns, o Governo tirou a todos. Para satisfazer a exigência de alguns, o Governo falhou com todos”, acusou.
Apontando o exemplo da Lei de Bases da Saúde, Negrão acusou o Governo de não ter levado a cabo “uma reforma digna desse nome” e de ter governado durante quatro anos “por um impulso de sobrevivência para evitar um naufrágio das suas forças políticas”.
“Pela sobrevivência da geringonça, tudo foi suportável. Agora, falam da criatura como se não tivessem sido responsáveis pela sua criação”, criticou.
No final da sua intervenção, Negrão apresentou algumas das propostas alternativas do PSD já conhecidas do seu programa eleitoral, como a redução do IRC, das taxas de IRS e do IVA de bens essenciais.
“Continuaremos a bater-nos, igualmente, por mais transparência na vida pública e pela ética na ação política. O combate à corrupção é, para nós, um desígnio nacional”, afirmou.
Numa intervenção aplaudida de pé pela sua bancada, apelou ao voto dos portugueses nas legislativas de 6 de outubro, pedindo para que o PSD que, começou legislatura como partido mais votado, também inicie dessa forma a próxima legislatura.
“O PSD não tratará os portugueses como contribuintes inesgotáveis ou eleitores resignados, mas como ‘cidadãos livres’”, afirmou, dizendo parafrasear o discurso de António Barreto como comissário das comemorações do 10 de Junho de 2010.

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