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Tancos: PS procurou branquear o desempenho do ex-Ministro da Defesa Nacional e do Primeiro-Ministro
Berta Cabral refere que o relatório traduz “uma visão incompleta e parcial” do que se passou durante os trabalhos da Comissão de Inquérito.
O Plenário da Assembleia da República apreciou, esta quarta-feira, o Relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre as consequências e responsabilidades políticas do furto do material militar ocorrido em Tancos. Em nome do PSD, Berta Cabral frisou que os sociais-democratas estiveram nesta Comissão com o propósito de contribuir, construtivamente, para apurar as responsabilidades políticas numa matéria que pôs em causa a segurança nacional e expos fragilidades dos diversos serviços do Estado que devem garantir essa segurança.
Sublinhando que os sociais-democratas tiveram sempre a preocupação de preservar a imagem e o prestígio da Forças Armadas, uma instituição fundamental para o País, a deputada centrou-se, de seguida, no conteúdo do relatório.
De acordo com a social-democrata, o Relatório Final da Comissão Parlamentar de Inquérito Tancos, aprovado pelo PS e pelos partidos da esquerda, “traduz uma visão incompleta e parcial do que se passou durante os trabalhos desta Comissão de Inquérito. O PS procurou atribuir as culpas ao Exército e à Polícia Judiciária Militar, branqueando o desempenho dos responsáveis políticos, nomeadamente do ex-Ministro da Defesa Nacional e do Primeiro-Ministro António Costa. Ora, para nós, nem o Exército nem a Polícia Judiciária Militar, devem ser postos em causa enquanto instituições, pois não podemos tomar a parte pelo todo nem confundir os erros individuais com o desempenho do coletivo”.
De seguida, Berta Cabral lembrou que o PSD apresentou mais de meia centena de propostas no sentido de melhorar alguns aspetos do Relatório de forma a conforma-lo, o mais possível, com as diversas audições e com a documentação recebida. “Se é verdade que algumas das nossas propostas foram incorporadas, outras há, por sinal as mais relevantes, que acabaram por não ficar no Relatório final, numa manifesta opção política dos Partidos que apoiam o Governo. Para nós, não é possível afirmar com total certeza que não existiram pressões políticas sobre a atuação da PJM e do Exército, muito particularmente sobre o General Rovisco Duarte. Também não podemos pactuar com o facto de o Relatório branquear a atuação do ex-Ministro Azeredo Lopes e do Primeiro-Ministro Antonio Costa, quando proferiram declarações contraditórias sobre como e quando tiveram conhecimento do conteúdo do memorando entregue pelo Diretor da PJM e pelo Major Vasco Brazão ao Chefe Gabinete do MDN, em 20 out de 2017”.
“É, para nós, absolutamente incompreensível que uma Comissão que tinha por objeto encontrar as responsabilidades políticas no furto ocorrido em Tancos, acabe por concluir que as mesmas não existiram quando um Ministro da Defesa e um CEME se demitiram exatamente na sequência desse processo. Se isto não são consequências políticas, são o quê? É o elefante no meio do processo”, remata a parlamentar.
A terminar, Berta Cabral enfatizou que os portugueses esperavam e mereciam que se apurasse, de facto, as responsabilidades políticas do ocorrido em Tancos, “mas com este Relatório subsistem mais dúvidas do que certezas sobre a atuação dos governantes portugueses neste caso.”
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