António Lima Costa considera que o veto do Presidente da República ao Decreto que visava restaurar a Casa do Douro enquanto associação pública, não podia ser mais claro. “Lembra-nos que a criação da Casa do Douro pública e de inscrição obrigatória, em 1932, resultou da lógica do regime político e do corporativismo de Estado vigente à época. Sabemos que os extremos se tocam, por isso, não se estranha, que bloquistas e comunistas, aqui com o apoio incompreensível do PS, queiram repor uma entidade com funções sindicais de inscrição obrigatória, própria de regimes totalitários. Fazem-no, citando o senhor Presidente da República, «em termos diversos dos genericamente previstos no nosso quadro constitucional».” Pegando nas palavras do professor Vital Moreira, o deputado entende que “estamos perante uma precipitada restauração da Casa do Douro como entidade pública, sem poderes públicos, mas sim com poderes sindicais e que provavelmente acabará num beco sem saída”. Perante a posição expressa pelo Presidente da República, António Lima Costa refere que a resposta dada por PS, BE e PCP veio através de “um truque”. “Mantêm inalterada a substância que levou ao veto, e pegam num pequeno exemplo lateral, marginal, usado apenas para ilustrar esta aberração e eliminam-na para, assim, poderem agitar a bandeira de que responderam às questões do senhor Presidente da República. É um truque que é uma afronta ao senhor Presidente da República, mas é sobretudo uma afronta aos durienses. Insistir nesta inutilidade jurídica, neste vazio de conteúdo, que, por isso mesmo, não conseguirá resolver nenhum problema estrutural da região, só tem uma explicação: a três meses das eleições, querem atirar areia aos olhos dos viticultores criar ilusões falsas, gerir expetativas infundadas, tentando fazê-los passar por tolos”. A terminar, Lima Costa enfatizou que “o PSD rejeita estas afrontas e só lamenta que se tenha perdido uma grande oportunidade, com a rejeição expressa do PS ao repto que aqui lhe lançamos, para, em conjunto, podermos encontrar um modelo de representação da produção compatível com uma visão moderna e europeísta que julgávamos partilhar”.
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