O Parlamento apreciou, esta terça-feira, uma Petição que solicita que Portugal assine e ratifique o Tratado de Proibição de Armas Nucleares. Em nome do PSD, José Cesário afirmou que para o PSD, “é indiscutível o caminho que a Humanidade terá de percorrer no sentido do fim da utilização da energia nuclear com objetivos militares. Temos plena consciência dos enormes riscos que se encontram associados à utilização de armas nucleares em qualquer possível conflito no presente ou no futuro. Percebemos assim muito bem os movimentos que se têm feito sentir neste sentido, um pouco por todo o Mundo, numa lógica defensora da paz e da concórdia”. Contudo, adianta o deputado, a complexidade estratégica desta questão não facilita a adoção de posições simples, num momento em que está longe de ser clara a orientação política das principais potências e países com poderio nuclear. “Diria mesmo que a necessidade de aumentar os esforços diplomáticos em torno desta questão não se compadece com pressas, que poderão comprometer esforços futuros. É assim que a nossa postura defensora de uma paz global e duradoura não pode deixar de ter em consideração dois aspetos muito práticos em termos geoestratégicos: em primeiro lugar, reconhecemos o efeito dissuasor do poderio nuclear das forças armadas de vários países inseridos em realidades regionais marcadas por conflitos já bem longos, com uma génese histórica muito delicada e complexa. Em segundo lugar, é também muito evidente que a lógica natural das nossas relações externas, num quadro político de defesa dos valores democráticos que caraterizam o mundo ocidental, de que nos orgulhamos de fazer parte, aponta para o respeito pelos compromissos coletivos assumidos no âmbito das grandes organizações multilaterais que integramos, como é o óbvio caso da NATO”. Assim, adianta José Cesário, “entendemos que a prioridade política do mundo ocidental deve apontar no presente para a garantia da não proliferação das referidas armas nucleares, admitindo que não é este o momento para afirmar de forma radical a sua eliminação. Para nós, este é o tempo para uma diplomacia ativa, sensata e realista, que mais garantias dará de defender o futuro do Mundo que hoje temos, entendido numa lógica democrática e humanista”.
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