“Quando findam quatro longos anos do governo das esquerdas, é por demais evidente que no ensino superior e no emprego científico, o dinheiro nunca chegou para as encomendas. A culpa é do governo e de quem aprovou os orçamentos, sabendo que nunca seriam cumpridos. O PCP e o Bloco bem podem pregar que não têm culpa, mas ninguém é enganado tantas vezes - quatro orçamentos - a não ser que gostem de ser enganados”. Foram estas as palavras iniciais de Álvaro Batista na interpelação ao Governo sobre “Ciência e Inovação”. De seguida, o parlamentar recordou que, em 2017, o governo prometeu aos bolseiros e investigadores um vínculo laboral estável, quando os incluiu no relatório da precariedade. “Até agora não cumpriu. O governo também prometeu estimular o emprego científico. Não estimulou coisa nenhuma. Atrasou-se tanto na renovação dos contratos, que para centenas de investigadores não serem despedidos, teve de ser o PSD a apresentar um Projeto de Lei para lhes prorrogar os contratos. Com este governo em 2018 emigraram mais de 80.000 portugueses, muitos jovens altamente qualificados, muitos mestres e doutorados”. Dirigindo-se ao Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Álvaro Batista lembrou que o governante garantiu o pleno emprego dos doutorados, mesmo tendo no ministério um concurso com 3.000 candidatos para 300 vagas. “Estamos já quase no segundo semestre de 2019, mas apenas concretizaram metade das contratações para financiamento dos projetos de Investigação e Desenvolvimento de 2017 e de 2018. Anos de atraso. De 166 investigadores que já deviam ter sido contratados ao abrigo do Programa de Regularização de Precários, apenas um tem a sua situação resolvida. Porquê? Dos 142 docentes na mesma situação, só 17 têm contratos assinados. Porquê? Pior é impossível”. Tendo em conta este cenário, Álvaro Batista é perentório a concluir que “o governo falhou no emprego científico. Fizeram-no porque as cativações secaram o dinheiro. Fizeram-no por incompetência e por falta de visão estratégica. Pagam hoje os investigadores, pagará amanhã o país com pobreza e falta de competitividade. Uma pergunta: também vai pedir desculpas como o ministro dos transportes ou vai insistir nas «desculpas de mau pagador»?”
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