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“Não podemos continuar a privilegiar o descartável num planeta que não o é”
Bruno Coimbra considera que “o plástico é hoje uma calamidade” e que é preciso agir.
“Estamos a correr contra o tempo. Hoje, é por demais evidente que estamos a correr contra o tempo e a perder a batalha para a qual estamos convocados a nível ambiental. Alterações climáticas, fenómenos extremos, contaminação por microplásticos, são diferentes faces de um só problema: o resultado da ação humana no planeta”. Estas foram as palavras iniciais de Bruno Coimbra, esta quinta-feira, no debate de um Projeto que determina a necessidade de alternativa à disponibilização de sacos de plástico ultraleves e de cuvetes em plástico nos pontos de venda de pão, frutas e legumes.
De seguida, o parlamentar afirmou que estamos a correr contra o tempo, pois estes são problemas que o tempo não vai resolver por si só, apenas agudizar. “A verdade é que, por mais difíceis que sejam as alterações comportamentais que temos de assumir enquanto sociedade, não podemos continuar a privilegiar o descartável num planeta que não o é. Estamos a correr contra o tempo, pois já nem falamos dos problemas da propagação descontrolada e da poluição dos plásticos lá longe, nas correntes do pacífico ou em ilhas paradisíacas do índico transformadas em lixeiras de plástico a céu aberto. Nem mesmo essa errada e confortável ilusão de distância do problema nos é permitida agora. O problema está aqui, na soleira da nossa porta”.
De acordo com o social-democrata, todos os dias somos confrontados com novas notícias: o Estuário do Douro inundado de microplásticos, Praias de Tavira cobertas por marés de lixo, o peixe contaminado que pomos nos nossos pratos e que damos a comer aos nossos filhos. Isto tudo, adianta, porque o plástico, esse material extraordinário, resiliente, versátil e tão útil, é hoje uma calamidade.
Dirigindo-se às restantes bancadas, o parlamentar alertou que “é preciso que as nossas ações mostrem que os estamos a ouvir, e que o muito que já fizemos, seja amplamente superado pelo que ainda podemos fazer: as nossas ações têm de ser grandes o suficiente para falarem mais alto do que o ensurdecedor ruído que o planeta tem feito exigindo mais de nós. Assim não nos falte a vontade nem a coragem política”.
“Temos de fazer um esforço conjunto para encontrar soluções com vista à substituição gradual, mas efetiva do plástico descartável no quotidiano dos cidadãos. Um esforço que engloba o recurso a novos materiais, novos designs, novos hábitos, novas fileiras de reciclagem e novos empregos daí decorrentes.” O PSD defende que uma Economia forte e um Ambiente saudável não são inimigos, não são opostos, podem e devem coexistir e potenciar-se”.
No que respeita à atuação do PSD no governo, Bruno Coimbra recordou que 2em 2015 fizemos nascer o Compromisso para o Crescimento Verde, que envolveu mais de uma centena de organizações da sociedade civil, consolidando políticas e reformas, e colocando Portugal na liderança da economia verde. Desenhámos o Plano Estratégico para os Resíduos Urbanos, que trouxe ambição na reciclagem e na reutilização de resíduos. E com a Fiscalidade Verde, gerámos a maior mudança comportamental da sociedade portuguesa, reduzindo drasticamente a utilização dos muito nocivos sacos de plástico leves. No que diz respeito ao Plástico, operámos a maior mudança de hábitos de vida dos portugueses com benefício para todos. Mais recentemente, apresentámos projetos para o cumprimento das metas de redução de resíduos de plástico. Apontámos ao fim da utilização de louça descartável de plástico na restauração, e à sua substituição por materiais 100% biodegradáveis. Viabilizámos e melhorámos projetos para implementação de um sistema nacional de incentivo e depósito de embalagens de bebidas. Mesmo na discussão do Orçamento do Estado para 2019, voltámos ao tema, propondo e garantindo a eliminação de uma proposta do governo, direcionando a mesma para o desincentivo à utilização dos sacos-de-plástico de maior gramagem. O PSD tem tido um papel muito ativo na defesa de um melhor ambiente, partilhando conhecimentos e vontade política para minorar, em Portugal e no Mundo, o flagelo do plástico e promover a economia circular”.
A terminar, Bruno Coimbra reiterou a ideia de que estamos numa corrida contra o tempo. “Os nossos índices de reciclagem estão muito aquém do necessário. É imprescindível desbravar o caminho da substituição de componentes de embalagens, que permitam alcançar o mesmo fim. Por tudo isto, estamos disponíveis para viabilizar o Projeto que aqui hoje discutimos e a detalhar a discussão e a melhoria do mesmo em sede de especialidade, no grupo de trabalho que a Comissão de Ambiente criou para o efeito”. “Precisamos de uma nova consciência coletiva, inspirada e impulsionada pelo sentido de urgência que temos diante de nós. Esta é uma luta em que não há lados. Não há comunistas, socialistas, social democratas, bloquistas, ou centristas. Contra a natureza, ninguém ganha. Contra o planeta ninguém sai vitorioso. Perdemos todos. Acredito que podemos convergir nas matérias fundamentais, para concretizarmos mudanças para um mundo e para um futuro melhor”, concluiu o parlamentar.

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