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Esquerda governa para os eleitores e não para os portugueses
Joana Barata Lopes lamentou que estes partidos governem sem pensar no futuro.
No debate de iniciativas sobre a idade da reforma e o acesso à pensão sem penalizações, Joana Barata Lopes sublinhou a “falta de seriedade” de PCP, BE e PEV. Segundo a deputada, se estes fossem partidos da oposição, podíamos até levar a sério a bondade da vontade de reparar as ditas injustiças. “Mas estas, justamente estas, são as propostas que estes partidos apresentaram no Orçamento de Estado e foram chumbadas pelo PS, o partido que precisa do PCP, do BE e do PEV para que o seu Governo exista. Talvez lhes valesse a desatenção de alguns eleitores, mas até um português menos atento perguntará: se têm, como se diz, a faca e o queijo na mão, porque não exigiram então a aprovação destas propostas?”
Dirigindo-se a estas bancadas, a social-democrata recordou que estes partidos têm, pela primeira vez, de conjugar aquilo que dizem ser as suas prioridades com a verdade da governação. Até aqui, adianta a deputada, assistíamos a um exercício de quem podia dizer tudo sem nunca ter de responder por nada, como se o dinheiro se multiplicasse pela intensidade da intervenção. “Mas os recursos só se multiplicam com uma visão clara e franca para um país que produza riqueza de forma sustentada em vez de conjuntural, numa verdadeira estratégia para a competitividade. Convenhamos, é evidente que esta visão de criação de riqueza não é comum a todos os que aqui estamos. Os senhores impuseram ao país a vossa governação: governem. Querem falar do sistema público de pensões? Querem reparar injustiças? Respondam pelas injustiças do vosso Governo ou, no mínimo, exijam ao PS que vos responda”.
Depois de se referir à sustentabilidade da Segurança Social, Joana Barata Lopes deu o exemplo de forma a que não possam fingir que não compreendem. “A Rosa tem 52 anos e desconta há mais de 30 anos. No cenário do otimismo meio irreal, a Rosa reforma-se em 2033. O vosso próprio prazo de validade diz que a Rosa, de 52 anos e mais de 30 de descontos, já não vai ter pensão de reforma do Sistema Previdencial, falido três anos antes. O que é que os partidos deste Governo têm para dizer à Rosa? PCP, BE e PEV dirão que também estão a trabalhar para a Rosa e que até querem aumentar reformas e antecipar a idade de reforma. A Rosa perguntar-lhes-á: em quanto é que essas dádivas vão acelerar uma falência do Sistema já hoje previsto para 2030? Ora PS não responderá isso. Na realidade não vai responder à Rosa, vai continuar com a cabeça na areia, não vá algum eleitor lembrar-se que os cortes nas pensões e nas prestações sociais foram decididos pelo PS que os inscreveu como obrigatórios no memorando em que pediu dinheiro para suprir a bancarrota. Os remendos que vai fazendo ao sistema previdencial para apregoar aumentos de pensão de reforma são sempre à custa de todos e sem contas claras: porque aquilo em que prejudicar hoje a pensão da Rosa, ela só sentirá na sua pensão no futuro e os votos são para agora”.
A terminar, Joana Barata Lopes lançou um desafio a todos os partidos da esquerda: “tenham coragem de governar, de facto. De procurar soluções para o problema dos portugueses e não dos eleitores”.
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