O Grupo Parlamentar do PSD levou a debate, esta quarta-feira, a situação do Presidente da Associação Mutualista Montepio Geral. Numa declaração política em nome do PSD, Adão Silva frisou que o PSD o faz “porque 630.000 portugueses não podem ser traídos na sua confiança e no seu futuro. Porque os aforros de uma vida de 630.000 portugueses não podem ser postos em risco. Porque o Presidente da Associação Mutualista Montepio Geral, Tomás Correia, tem em dúvida a sua idoneidade para dirigir a maior mutualidade portuguesa”. Sublinhando que “a idoneidade é confiança e responsabilidade”, o Vice-Presidente da bancada do PSD questionou qual a responsabilidade que se pode esperar de alguém que impôs, à socapa, uma manobra esdrúxula para que os 630.000 mutualistas pagassem as multas dos seus desmandos e das suas irresponsabilidades. De seguida, o social-democrata afirmou que “Tomás Correia tem gozado da maior condescendência do atual governo socialista. “Condescendência que é cumplicidade, quando o governo aprova um Decreto-Lei, em agosto de 2018, onde existe um enorme buraco de indefinição sobre a quem cabe a responsabilidade na avaliação da idoneidade de Tomás Correia. Neste jogo do empurra, uma coisa é certa: o governo foge a sete pés da responsabilidade de avaliar, imediatamente e sem mais delongas, a idoneidade de Tomás Correia”. No entender de Adão Silva, há um conjunto de perguntas a que têm de ser dadas respostas: “porquê esta cumplicidade que roça o ridículo? Será porque Tomás Correia é também o Presidente socialista da Assembleia Municipal de Pedrógão Grande, essa terra mártir onde apodrece e ganha pó a solidariedade e a generosidade dos portugueses? Ou haverá outras razões, para já indizíveis, mas suspeitadas?” O Vice-Presidente da “bancada laranja” recordou, de seguida, que este jogo cúmplice entre o governo socialista e o socialista Tomás Correia teve já, em anos recentes, outras evidências. “Recordemos, em 2017, a imensa generosidade do Governo ao querer pôr as poupanças da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, cerca de 200 milhões de euros, como amparo da má gestão do Banco Montepio, e, indiretamente, da Associação Mutualista, má gestão de que, ao tempo, se suspeitava e que agora se percebe melhor. A oferta simpática e generosa do governo com o dinheiro de todos os portugueses abortou, embora o Primeiro Ministro reiterasse que essa era uma boa ideia e que «só era pena não ter sido ele a lembrar-se». Recordemos ainda que em 2018, perante os prejuízos das contas de 2017 da Associação Mutualista, que ascendiam a 220 milhões de euros, Tomás Correia pediu ao Governo alterações do regime fiscal, recebendo, de imediato, 808 milhões de euros de créditos fiscais. Assim se maquilhavam resultados negativos da Associação Mutualista, com supostos lucros artificiais para ficar bem na fotografia”. Alertando que perante tudo isto os mutualistas estão sobressaltados e é crescente o número dos que abandonam a instituição, Adão Silva enfatizou que o governo, ao seu mais alto nível, tem que ser claro. “Aquilo que está em causa é de uma tremenda gravidade. Por isso, o PSD exige ao governo que garanta a segurança e a confiança aos 630.000 portugueses que, ao longo de uma vida, acreditaram nas vantagens do mutualismo e na boa gestão da Associação Mutualista Montepio Geral. Este elo de confiança não pode quebrar-se. Por isso o PSD exige que o governo atue, sem delongas e sem esconder as suas responsabilidades em buracos de conveniência que deixa nas Leis que ele próprio faz”.
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