No debate sobre a Europa com o Primeiro-Ministro, Rubina Berardo confrontou António Costa com os temas que estão na agenda do próximo Conselho Europeu, concretamente o Brexit e as migrações. Sublinhando que espera que o Primeiro-Ministro leve a esta reunião propostas concretas que vão ao encontro do interesse nacional e europeu, a Vice-Presidente da bancada social-democrata frisou que o PSD “continua profundamente preocupado com estado de impreparação de Portugal a 6 meses do Brexit”. No entender da deputada, “ao executivo cumpre agir” e preparar as empresas portuguesas e a comunidade portuguesa no Reino Unido para a eventualidade de um não acordo. Neste âmbito, a parlamentar recordou o trabalho que os outros países estão a fazer: “o governo Holandês contratou mil oficiais aduaneiros para os portos para fazer face ao cenário de não-acordo. O Primeiro-Ministro irlandês contratou 700 novos agendes aduaneiros, 300 novos funcionários para inspeções agrárias e pecuárias e mais investimento na estrutura física dos portos. O Primeiro-Ministro francês solicitou aos restantes membros do seu governo planos de contingência para um cenário de não-acordo. O Ministro das Finanças dinamarquês anunciou a criação de uma dotação extraordinária de 100 milhões de euros no orçamento para lidar com a ausência de acordo e o próprio Mistro britânico afirmou eu todos os governos têm de planear todas as contingências. Todos, menos Portugal, pois não vemos essas medidas a serem ativadas em Portugal”. Tendo em conta esta realidade, Rubina Berardo lamentou que “só em Portugal é que o governo assume uma personagem de cigarra neste contexto, sem planos de contingência efetivos no terreno e sem investimentos concretos”. No que respeita às migrações, a vice da “bancada laranja” começou por declarar que a realidade geográfica de Portugal e o consenso político tem levado a que o debate sobre esta matéria não seja tão emotivo como em outros estados-membro. Depois, a parlamentar questionou a António Costa se irá abordar o agudizar da crise socioeconómica na Venezuela junto dos seus pares europeus, uma vez que nos últimos 3 anos a Venezuela perdeu 1,6 milhões de habitantes, realidade que também afetou a comunidade portuguesa. “Tratam-se de refugiados de um sistema político e económico que não assegura a sua segurança pessoal e económica. Chegou a altura de a União Europeia agir com celeridade e eficácia para apoiar as comunidades portuguesas, italianas e espanholas que residem na Venezuela”, referiu a deputada.
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