Pedro Roque considera que as iniciativas de PCP, BE e PEV sobre a redução do horário das 40 para as 35 horas não é mais que “um posicionamento tático “intra-geringonça” à medida em que a ampulheta eleitoral vai escoando os seus grãos de areia”. De acordo com o deputado, “o primeiro teatro de operações é dentro da esquerda mais extremada em que, comunistas e bloquistas, se digladiam sobre a primazia da proposta, na disputa fratricida pelo porte do facho da revolução e o título de campeão do proletariado. O segundo, é na minagem do campo eleitoral do PS por forma a recola-lo como “compagnon de route” da tenebrosa direita mesmo que a sua sobrevivência governativa tenha sido gerada em simbiose parlamentar.” De seguida, o social-democrata centrou-se na iniciativa do PCP que refere que «a redução do horário de trabalho para as 35 horas colocaria a necessidade de mais 440 mil trabalhadores para cumprir as mesmas horas de trabalho». Refere Pedro Roque que isto é afirmado pelo mesmo partido que quer revigorar a contratação coletiva, mas que, numa matéria essencial, quer impor sem ter em conta a necessária conciliação bipartida de interesses. “Ora, o único país da OCDE a implementar medida semelhante foi a França de Lionel Jospin em 2000. Sendo conhecida esta experiência, importa refletir sobre o seu balanço. A passagem para as 35 horas contribuiu para a perda de competitividade da economia ou, numa leitura benévola, coincidiu com o declínio das exportações gaulesas na década de 2000. A taxa de cobertura das importações pelas exportações em França caiu de 105% em 1997 (superavit) para 85 % em 2009 (um deficit) – exatamente o fenómeno que Portugal já corrigiu com o esforço de todos”. A terminar, Pedro Roque sublinhou que “a economia é demasiado importante para experimentalismos ou voluntarismos mais ou menos bem-intencionados”.
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