Virgílio Macedo considera que o agendamento, por parte do PS, de um debate sobre a “Internacionalização da economia portuguesa” é o reconhecimento “da falência da política económica que no início deste mandato o Governo dizia que ia implementar”. Para o deputado, essa “falsa partida do governo, essa aposta inicial errada em termos de política económica, fez-nos perder um ano de crescimento económico. Hoje, dada a boa conjuntura internacional, poderíamos e deveríamos estar a crescer mais e melhor”. Segundo o social-democrata, hoje o governo tenta capitalizar para si méritos em termos de crescimento económico, que sabe que não são exclusivamente seus, mas que são sobretudo consequência de políticas passadas e sobretudo são consequência do trabalho e do esforço das nossas empresas, nomeadamente dos seus trabalhadores e dos seus empresários, que em tempos de crise souberam arriscar, souberam inovar, souberam encontrar nas dificuldades, oportunidades”. Em sentido contrário, adianta, o atual governo não tem sido pró-ativo, pelo contrário, “tem sido pró-passivo, limitando-se a recolher os resultados de ventos favoráveis da conjuntura internacional, do dinamismo dos nossos empresários e da boa performance da indústria do turismo, que diga-se, em abono da verdade, não é um exclusivo de Portugal”. De seguida, Virgílio Macedo referiu que hoje vivemos um enquadramento económico externo caracterizado por um ritmo crescente e acelerado de mudanças tecnológicas, interdependência das economias, globalização dos mercados e mundialização da concorrência. “A aposta na internacionalização das economias torna-se uma inevitabilidade, obrigando as políticas públicas e todo o tecido empresarial a adotar estratégias que assegurem a competitividade internacional das suas empresas e por consequência do país. Para Portugal, pequena economia que é, tanto no que respeita à sua dimensão populacional, como no que concerne ao seu poder de compra, esta necessidade ainda é mais fulcral e decisiva para o seu desenvolvimento económico”. No que respeita à comparação dos resultados da diplomacia económica do atual governo com a do anterior, Virgílio Macedo afirmou que nada é melhor que olhar com frieza os números e os indicadores económicos. “Entre 2011 e 2015, a balança comercial passou de um saldo negativo de cerca de 6.500 ME, para 3.000 ME positivos. Em 2017, o saldo da nossa balança comercial teve um saldo positivo de 3.500 ME. Ou seja, nos quatro anos da anterior legislatura, em anos de crise, de dificuldades financeiras internas e externas, Portugal não só conseguiu inverter o sinal do saldo da nossa balança comercial, como a dimensão dessa inversão foi de cerca de 10.000 ME. Com este Governo, após praticamente três anos de governação, com uma conjuntura internacional reconhecida como, extremamente favorável, e sem qualquer das restrições que tivemos no passado, apenas conseguimos um excedente adicional na nossa balança comercial de 500 ME”. No que respeita à Taxa de Cobertura das importações pelas exportações, outro indicador que revela “a falácia do êxito económico deste governo”, o social-democrata lembrou que “entre 2011 e 2015, essa taxa de cobertura passou de 90,5% para 104,2%. Ou seja, conseguimos que as nossas exportações passassem a ter um valor superior às nossas importações. Pois, entre 2015 e 2017, este indicador passou dos já referidos 104,2%, para uns sensacionais 104,3%”. E quando se questiona os agentes económicos relativamente aos obstáculos que travam o aumento da competitividade da economia portuguesa, invariavelmente aparecem a burocracia, os impostos e a legislação laboral. E o que é que o Governo fez, ou tem feito, para ultrapassar estes obstáculos, inverter esta realidade? Quanto ao combate à burocracia, o governo tem feito aquilo que melhor sabe fazer: publicidade, muita publicidade, demasiada publicidade, mas sem consistência e sem aderência à realidade. Infelizmente, nestes 3 anos de Governação, muito foi anunciado, mas nada, ou muito pouco foi feito. Já o contrário se pode dizer relativamente aos impostos e à carga fiscal. Aqui reconhecemos que foi feito muito, mesmo muito. Foi feito sobretudo um aumento de impostos, sobretudo de impostos indiretos, como nunca antes tinha sido realizado. Impostos indiretos esses que, como todos sabemos, sendo mais silenciosos em termos de perceção pública, são os mais injustos em termos sociais”. A terminar, Virgílio Macedo enfatizou que “os problemas, as dificuldades evitam-se, e essa devia ser a atitude do Governo Português”. Contudo, adianta, “já estamos habituados que em Governos socialistas esse princípio não se aplica. Pelo contrário. A regra é, perante os problemas, «fuga para a frente», independentemente dessa atitude provocar o seu agravamento. A filosofia é: no futuro haverá alguém a resolver esses problemas, e alguém ficará com o ónus da resolução dos mesmos”.
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