No debate da iniciativa que visa a criação de uma Comissão de Inquérito ao pagamento de rendas excessivas aos produtores de eletricidade, Paulo Rios de Oliveira recordou, para memória futura, o trajeto que nos trouxe que levou à apresentação desta iniciativa. Recorda o deputado que tudo começou “com a espantosa notícia de alegados pagamento mensais de 15 mil euros do Grupo GES a Manuel Pinho, durante mais de 10 anos, mais propriamente entre 2012 e 2012, ou seja, incluindo todo o tempo que assumiu funções governativas como Ministro da Economia”. Segundo o parlamentar, esta notícia, a juntar a outras que têm por elemento comum os governos socialistas de José Sócrates suscitou surpresa e um pesado silêncio socialista. “E foi o PSD, que exigiu explicações e determinou a apresentação do requerimento do PSD para trazer ao Parlamento o visado Manuel Pinho. Num registo que está a virar moda, a Geringonça tenta transformar: o «concreto» em «genérico», as «perguntas claras» em «respostas opacas» e as audições «de hoje», nas Comissões de Inquérito «dos próximos meses». Entretanto, o PS de António Costa, que durante anos e anos assumiu com orgulho os governos socialistas de Sócrates, apressou-se a deixar cair o mesmo Sócrates e tudo o que cheire a Pinho. Dito de outro modo e numa imagem feliz, o Partido Socialista percebeu, e os portugueses estão a perceber, que a presença nos governos socialistas de Sócrates está a passar de Currículo Político a Cadastro Político.” Entretanto, adianta Paulo Rios de Oliveira, para distrair atenções, vem o Bloco de Esquerda apresentar este Projeto de Comissão de Inquérito que abrange 14 anos de sucessivos governos para analisar o pagamento de rendas e subsídios aos produtores de eletricidade. “Como diz o povo: quem muito abarca, pouco aperta. É essa a intenção?”, questionou o deputado. Questionado aos bloquistas se querem mesmo o Inquérito e se querem mesmo a verdade, o social-democrata afirmou esperar que esta não se transforme numa Comissão Inquérito como a da CGD, em que não só o próprio governo socialista tudo fez para impedir o acesso à informação, como se apressaram a encerrar os trabalhos antes dos tribunais imporem a entrega dos elementos exigidos em tempo pela Comissão. A terminar, Paulo Rios de Oliveira garantiu que o PSD está atento e será ativo e consequente. “Mas não deixaremos de denunciar tudo o que pretendam fazer para impedir ou condicionar os trabalhos desta Comissão, seja por ação seja por omissão e bastarão alguns dias para percebermos ao que vem a geringonça e se vamos ter um novo garrote da esquerda parlamentar. Mas, em nenhum momento permitiremos que o enorme elefante que se passeia por esta sala e que respeita aos anos de chumbo dos governos socialistas da década passada sejam esquecidos ou escondidos, pois os portugueses estão cansados de mentiras velhas e novas e exigem mesmo a verdade”.
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