Ricardo Baptista Leite recordou que na semana em que o Parlamento discute o Programa de Estabilidade, o Presidente da República veio apelar que se “inverta o caminho de desinvestimento na saúde que tem vindo a ser executado pelo governo”. De acordo com o social-democrata, este desinvestimento é real, demonstra-se nos números e sente-se na vida das pessoas, quer dos doentes quer dos profissionais. “De acordo com os vossos números, prevê-se um PIB para 2018 que ronda os 200 mil milhões de euros, dos quais apenas 9667 milhões serão investidos na saúde. 4,8% do PIB, o valor mais baixo dos últimos 20 anos, o terceiro menor investimento na saúde na Europa, pior que nós só a Letónia e a Lituânia”. Contudo, refere o parlamentar, quando se podia esperar que apesar deste desinvestimento poderíamos pelo menos ter investimento em infraestruturas, a verdade é que nem isso. “Olhamos para o Programa de Estabilidade e o único Hospital que parece que vai haver é uma PPP, curiosamente com o apoio do PCP. Continuamos a ver que nos cuidados primários não há uma aposta real, a aposta nos médicos de família para todos os utentes continua a ser uma miragem, continuamos muito aquém da meta das Unidades de Saúde Familiar, de camas de cuidados continuados, de paliativos, nada disto é uma prioridade para o governo”. Em consequência, frisa o social-democrata, temos “pior saúde para os portugueses e o tempo de espera para primeira consulta de especialidade, em alguns casos, a atingir os 3 anos”. A terminar, Ricardo Baptista Leite declarou que o “Programa de Estabilidade traduz o que temos visto no terreno: a saúde não é uma prioridade para este governo, precisamos de menos palavras e de mais ação e precisamos que se invista mais na saúde dos portugueses”.
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