“Este debate demonstra bem aquilo que o PSD tem denunciado nos últimos tempos: uma campanha de propaganda tóxica que o governo tem realizado para tentar branquear as falhas que existiram no combate aos incêndios do ano passado, e que não tem deixado o próprio governo preparar a próxima época de incêndios. O que temos hoje é um país sem meios e sem uma estratégia sustentável para combater os fogos rurais”. Foi com estas palavras que Nuno Serra iniciou a sua intervenção, esta quinta-feira, no debate sobre a preparação da época de incêndios. De seguida, o social-democrata frisou que se a visão do que é a preparação do combate já é aterradora, o que está ao nível da prevenção florestal não é melhor. “A atitude continua a ser culpar os proprietários, os habitantes do mundo rural, agravando e intensificando os problemas das suas economias, onde naturalmente se insere a gestão sustentável dos combustíveis, mas que este governo, com meia dúzia de soluções avulsas apresentadas se afastam cada vez mais do saber científico ou empírico. A aposta na aparente ilusão de que faz prevenção, está a cegar o poder político e engana os cidadãos e opinion markeres, que de repente já todos sabem como fazer para prevenir e combater os fogos florestais”. Criticando a postura do executivo, que acusou de andar em “campanha eleitoral permanente”, o deputado lembrou que o governo começou por acusar os eucaliptos pela dimensão dos fogos. Depois “culpabilizou os proprietários pela má gestão dos seus terrenos e responsabilizou-os de prejudicar terceiros, duplicando as coimas e impondo prazos absurdos. E ainda criou novas obrigações legais sem qualquer rigor técnico, cujo efeito tem precisamente o oposto ao pretendido: aumentam a produtividade primária, isto é o crescimento dos matos, tornado mais frequente a necessidade da sua gestão e consequentemente encarecendo-a cada vez mais e inviabilizando a rentabilidade do território”. Face a este cenário, Nuno Serra declarou que “cortar árvores junto das casas, com distâncias patéticas, e roçar mato na berma da estrada não é o que se esperava da prevenção estrutural que Portugal merecia depois do que aconteceu no ano passado. A prevenção estrutural ao nível da silvicultura é muito mais que isso”. Lamentando que o governo continue fechado na sua propaganda, desprezando qualquer conselho ou proposta da oposição, Nuno Serra concluiu afirmando que o executivo não pode continuar a usar a floresta como uma moeda de troca política ou uma forma fácil de fazer propaganda.
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