Ângela Guerra apresentou, esta sexta-feira, o Projeto de Resolução do PSD que defende a realização de um estudo de impacto ambiental transfronteiriço relativamente às minas de urânio em Retortillo-Santidad. No início da sua intervenção, a deputada saudou a união de todos os partidos em torno desta matéria e recordou que, tal como em Almaraz, este é o segundo mau exemplo de conflitos ambientais em que se conclui que as autoridades espanholas não cumprem com as convenções internacionais a que se vincularam. “Este é um comportamento recorrente que traduz aquilo que é um padrão e nos leva a afirmar que não podemos confiar no tempo, no método, nem tão pouco nas propostas que nos chegam do lado espanhol. Já não nos podemos bastar também com meras promessas de encontros em fóruns ou com a básica via diplomática. A nossa atitude tem de deixar de meras palavras e passar à ação. A nossa atitude tem de se traduzir em ações mais reivindicativas, mais exigentes, mais fiscalizadoras e bem mais firmes. E temos de nos socorrer de todos os mecanismos ao nosso dispor”. De seguida, a deputada afirmou que não devemos excluir a via diplomática, mas refutou a ideia de que o processo já está numa fase em que não pode voltar atrás. “Mas agora é Espanha que decide unilateralmente se causa ou não danos em Portugal? Se o Estado português tivesse sido devidamente notificado nos prazos e nos termos do direito internacional teríamos agido em conformidade”. No que respeita ao dano de imagem irreversível, Ângela Guerra, que é eleita pela Região da Guarda, referiu que na região já se sentem os efeitos. “Como se não bastasse, publicou também o Ajuntamento de La Alameda del Gardón, uma localidade situada a 3km de Vilar Formos, uma autorização excecional de utilização de solos agrícolas para exploração mineira, o que nos deixa ainda mais preocupados”. A terminar, Ângela Guerra frisou que “quem persiste naqueles territórios tem muito do seu suporte na natureza, na agricultura, na floresta e nos seus valores endógenos. A água e os nossos rios são um ativo do qual dependem muitas vidas humanas e de animais. E escandalosamente também nunca houve qualquer avaliação do risco da saúde neste processo. Aqueles territórios merecem muito e bem mais. E disto o PSD não abdicará”, garantiu a parlamentar.
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