
O Deputado Pedro Roque, na sua qualidade de Presidente da Assembleia Parlamentar do Mediterrâneo (APM), recebeu o Embaixador da Palestina, Nabil Abuzanid, em visita de cortesia no passado dia 27 de fevereiro. O Embaixador agradeceu a marcação da reunião, referiu ser sempre um prazer poder encontrar-se com apoiantes da paz. Sente que Portugal é um país que apoia a Palestina e mantém boas relações e influência junto de Israel. Referiu esperar que este encontro signifique um incremento das relações futuras, na medida em que o trabalho da paz é de todos e bom para todos. A Palestina é uma porta para o mundo árabe, para a paz e para a justiça. A reunião foi solicitada com o objetivo de pedir o conselho de amigos relativamente ao que deve ser feito no quadro das relações bilaterais, mas também no seio da UE, da APM. Mencionou a existência de um convite ao Presidente da República de Portugal para visitar a Palestina, que se espera poder ser concretizado em 2018.
Por seu turno, Pedro Roque agradeceu o convite e explicou que estava a receber na qualidade de Presidente da organização. Referiu as suas visitas à Palestina e a Jerusalém, bem como o facto de ser secundado no cargo por um Vice-Presidente palestiniano e um Vice-Presidente israelita. Lembrou a Declaração da Assembleia Parlamentar do Mediterrâneo sobre o processo de paz no Médio Oriente, que reitera o empenho na “Solução dos Dois Estados” no âmbito das diferentes resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e afirmou que a APM não abdicará de procurar acordo nos assuntos fundamentais (estatuto de Jerusalém, fronteiras, segurança, colonatos e água). A APM quer contribuir para o regresso ao processo de paz, pelo menos ao nível parlamentar, considerando que a diplomacia parlamentar pode ser especialmente importante num momento em que as relações ao nível dos executivos estão mais tensas.
O Embaixador agradeceu as palavras, mencionando esperar posições mais fortes da comunidade internacional, uma vez que considera que a abordagem tradicional não tem resultado e, na sua perspetiva, sem medidas mais fortes, Israel vai continuar a sua política de confisco de terras e progressivamente a tornar impossível a Solução de Dois Estados. Afirmou que a Palestina tem sido flexível relativamente ao controlo de fronteiras e aos refugiados, abandonou a resistência, mas não sabe o que é que a comunidade internacional espera mais da Palestina.
O Presidente da APM respondeu que, face às recentes posições dos EUA, a UE deve ter um papel mais assertivo, como forma de servir de contrapeso aos EUA, mas que é difícil definir política externa no contexto da UE por falta de consenso. Reiterou ainda o compromisso da APM em colaborar para o processo negocial de paz, a nível parlamentar, no quadro de uma cimeira a ter lugar em breve na margem jordana do Mar Morto e em que, para além dos parlamentares israelitas e palestinianos, contará com o apoio da Jordânia e do Egito.