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"Não abdicamos de representar os portugueses que não se revêm neste governo”
Santa Casa no Montepio: a nossa posição é muito clara, “somos contra”.
No seu primeiro debate quinzenal na qualidade de líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão garantiu que a bancada social-democrata é de oposição e irá exercer essa oposição “de forma responsável, construtiva e firme”. Dirigindo-se ao Primeiro-Ministro, o deputado garantiu que, por um lado, tem a certeza que “será possível nas grandes questões de interesse nacional chegarmos a acordo. Mas, por outro lado, temos e teremos esta atitude de firmeza relativamente à governação, porque não abdicamos de representar os portugueses que não se revêm neste governo”, enfatizou.
De seguida, o social-democrata centrou a sua intervenção na entrada da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa no capital do Montepio. Sendo direto, Fernando Negrão sublinhou que, “independentemente das condições, a nossa posição é muito clara: somos contra e eu diria em qualquer circunstância. Rui Rio já disse que era contra esta operação. E há razões para isso: o dinheiro dos pobres e das obras sociais não deve ter por destino os bancos. Esta é uma questão de princípio. Esta é uma operação de grande risco”. Dirigindo-se a António Costa, o social-democrata quis saber se esta operação está decidida e qual o valor envolvido e deixou claro que “se houver o mínimo sinal de que esta operação não acautela os interesses financeiros da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa o Grupo Parlamentar do PSD está disposto a utilizar todos os instrumentos parlamentares à sua disposição para fiscalizar e para investigar até às últimas consequências”.
Perante a resposta vaga do governante, Fernando Negrão insistiu no tema e questionou “qual a razão da Caixa Crédito Agrícola não ter aceitado fazer parte do capital do Montepio Geral? Porque é que mais nenhuma misericórdia acompanhou a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa para fazer parte do capital do Montepio? Ou não haver nenhuma entidade privada? Isto diz tudo sobre o risco desta operação. Estamos a falar de dinheiro de ação social, de dinheiro de pobres, de gente necessitada que vai para bancos. E o passado não aconselha operações com o risco desta natureza”.
Contudo, o parlamentar foi mais longe ao afirmar que o espanta “ver um governo de esquerda a tomar uma posição destas e a tomar uma decisão desta natureza, para mais com o silêncio completo dos partidos de extrema-esquerda. Isto faz-me lembrar o Robin dos Bosques ao contrário, é tirar o dinheiro aos pobres para pôr nos Bancos”.
O deputado deixou ainda um cumprimento especial a Pedro Passos Coelho, neste que era o seu último dia como deputado. Fernando Negrão desejou as melhores felicidades ao ex-líder do PSD e Primeiro-Ministro e garantiu que “a história saberá fazer-lhe justiça”.

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