“Volvidos mais de 2 anos de governação do PS, o balanço na saúde é francamente negativo. A ausência de políticas de saúde pública que reduzam a carga da doença, doentes confrontados com um SNS incapaz de responder às suas necessidades e profissionais de saúde esgotados, cansados, sem condições para trabalhar e revoltados perante a falta de reconhecimento da sua ação por parte da tutela”. Foi com estas palavras que Ricardo Batista Leite iniciou a sua intervenção, esta quarta-feira, no debate de urgência sobre Saúde. Para comprovar a sua acusação, o social-democrata recordou os 7 mil doentes oncológicos que, em 2016, foram tratados para além do prazo legal. “Reconhecendo a gravidade da situação, o Ministro da Saúde disse que essa situação não voltaria a acontecer. Recordar-se-ão dos 56 doentes infetados pela bactéria da legionella. Faleceram 5 doentes e o Ministro veio dizer que iria haver uma reparação célere no âmbito da responsabilidade civil, até agora nada. Existe uma cura para a Hepatite C e há casos de espera para o acesso ao tratamento superiores a 1 ano. A promessa das 35 horas semanais e os contratos para todos os funcionários de saúde, continuam a ser uma miragem”. Contudo, quando se esperava uma resposta do governo, o parlamentar recordou as palavras do Primeiro-Ministro que reconheceu que o SNS está em rutura, algo que fica patente com o aumento do número de médicos que assinam o pedido de exclusão de responsabilidade disciplinar. “Para compreendermos a gravidade da situação, o que está em causa são médicos a pôr por escrito que por questões éticas estão a exercer a sua função, mas que não estão a conseguir dar todos os cuidados que os doentes precisam por falta de condições básicas do SNS. É esta a situação do SNS, é o descalabro, é o salve-se quem puder”. Perante o que se está a acontecer na saúde, com o colapso e a rutura do SNS, Ricardo Baptista Leite lamenta que a preocupação dos comunistas sejam as PPP na saúde. “Não sei o que assusta mais: se a incompetência de quem nos governa, se a cegueira ideológica de quem o suporta”, sentenciou o deputado. A terminar, o social-democrata recordou ao PCP que foi o PS a inaugurar todos os hospitais PPP e lembrou que no último Orçamento, PS, PCP, BE e PEV aprovaram mais uma PPP para a construção do novo hospital oriental de Lisboa.
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