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Governo incapaz, incompetente e politicamente negligente merece censura
Luís Montenegro acusou António Costa de reagir a incêndios como “tecnocrata de mediana categoria”.
Luís Montenegro considera que o governo “merece censura” pelo “falhanço” na resposta aos incêndios, e recordou que António Costa, enquanto líder parlamentar na oposição, considerava a moção de confiança uma forma de clarificação.
No encerramento do debate da Moção de Censura motivada pelas falhas do governo nos Incêndios Trágicos de 2017, o ex-líder parlamentar do PSD frisou que “a questão que esta moção coloca é simples: a ação, omissão, confusão que o Governo teve ao enfrentar os fogos florestais merece ou não uma censura política do Parlamento? Merece sim senhor”, afirmou.
O social-democrata criticou o Primeiro-Ministro por, na madrugada de 15 para 16 de outubro, aparecer ao país “não como um político hábil e experiente, mas como um tecnocrata de mediana categoria”, insistindo na concretização da reforma da floresta. “Um Primeiro-Ministro que chefia assim o Governo e que trata o seu povo com tamanha insensibilidade é um Primeiro-Ministro de um governo que merece censura do Parlamento”, criticou.
De seguida, Luís Montenegro recuperou no debate uma intervenção de António Costa quando este era líder parlamentar do PS, então na oposição, e o Governo PSD/CDS-PP liderado por Durão Barroso apresentou uma moção de confiança, dizendo que nessa altura o atual Primeiro-Ministro considerou essa “clarificação muito positiva”. Perante a recusa de António Costa em apresentar uma Moção de Confiança, na sequência de um desafio feito pelo PSD, o parlamentar frisou que a “a palavra dada mais uma vez não foi honrada”.
Mas também a postura de PCP e BE mereceu reparos do deputado. O parlamentar lamentou que, num momento em que o Governo merece “a censura audível”, as bancadas do PCP e do BE também façam críticas mas “numa voz mais baixinha que não se vai expressar na votação”.
Luís Montenegro voltou a manifestar a disponibilidade do PSD para participar em consensos nas matérias da prevenção e combate aos incêndios, mas lembrou que o governo rejeitou várias propostas dos sociais-democratas no Parlamento e pediu que o consenso não se confunda com o silêncio. “O que queriam era o silêncio do PSD e do CDS, mas esse silêncio não é próprio do regime democrático, é próprio das ditaduras, regimes que os senhores conhecem muito melhor do que nós”, criticou, sublinhando que a função cimeira da oposição é fiscalizar o Governo.
Dizendo que, “posto à prova o Governo falhou”, Luís Montenegro deixou ainda críticas à anterior Ministra da Administração Interna. “Eu sou humano e sei colocar-me na situação dos outros, a anterior Ministra imagino os tormentos e angústia que sofreu e tenho respeito por isso, mas tal não pode inibir uma apreciação política”, disse, acusando Constança Urbano de Sousa de ter “mentido ao país com a cumplicidade do Primeiro-Ministro”.
No final da sua intervenção, Luís Montenegro voltou a criticar a génese do atual Governo, que “só existe com o objetivo de não existir outro”, liderado pelo PSD. “Um dia haveremos de voltar a liderar o governo, mas nessa altura esse governo não vai existir para evitar que exista o vosso, vai existir para cuidar da vida das pessoas e sobretudo para não falhar como este falhou”, rematou.

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