O Parlamento debateu, esta sexta-feira, três recomendações ao governo, que vão desde os temas da formação profissional, ao teletrabalho, passando pela contratação coletiva. Intervindo em nome do PSD, Carla Barros começou por saudar o CDS pela iniciativa e por frisar que o denominador comum mais importante neste debate, é o apelo de que estas matérias devem ser debatidas em sede de concertação social. “O BE e o PCP não dirão o mesmo, mas a concertação tem subjacentes dois princípios que muito o PSD valoriza: o diálogo social e a paz social. A concertação social é uma verdadeira camara de descompressão, na qual os partidos da extrema-esquerda não se reveem. Para estas minorias, a sociedade da crispação e da revolução e dos conflitos nas relações laborais, são a sua garante de sobrevivência, com quem o PC decidiu encontrar uma solução governativa para o nosso país. É nesta contradição ideológica desajustada aos tempos atuais, que este governo do partido socialista apoia a sua governação e se vê obrigado a aprovar propostas que nunca, em tempo algum, encontraram abertura no código do Trabalho”. De seguida, a parlamentar enfatizou que “o PSD não se demite da sua responsabilidade, e por isso, temos sempre apelado a que haja um novo patamar de crescimento, denunciando sempre os sinais de um país adiado. O governo e os seus parceiros de coligação não têm vontade de continuar as reformas do anterior governo PSD/CDS. As reformas laborais serão adiadas e as que foram feitas pelo anterior governo estão a ser revertidas. Isto não é novidade, é o que os portugueses têm vindo a assistir. O governo está surdo para a oposição e para as Instituições internacionais que constantemente apelam a que continuemos o caminho reformista que o país teve até aqui”. Dirigindo-se às bancadas que suportam o governo, a social-democrata enfatizou que o PSD está satisfeito “com a confirmação de que o país cresce, mas estamos defraudados porque este governo revela, constantemente, falta de capacidade para consolidar estas perspetivas de crescimento. Senão vejamos: o pib está a crescer, mas o anterior governo, governando nas condições adversas que tinha, de 2014 para 2015 quase duplicou o seu crescimento. Por isso, exigimos ação do governo. Também exigimos ação do governo na capacidade de gerar emprego, que tem de acompanhar o mesmo impulso da queda do desemprego. Convém lembrar que a grande queda do desemprego, 75% da queda do desemprego, verificou-se entre 2014 e 2015, quando 282 mil pessoas desempregadas saíram deste flagelo. Por isso, temos legitimidade para exigir ação deste governo. Exigimos mais ação deste governo para criar mais e melhor emprego. Porquê, perguntar-me-ão, certamente? Porque o emprego precário está a aumentar. O combate à precariedade é fulcral para o PSD, mas este governo converteu-o num anúncio populista, para agradar aos seus parceiros de coligação”. Depois de abordar o tema do cheque-formação, sublinhando que os trabalhadores precisam de medidas ativas de formação profissional que lhes permitam adquirir novas competências e melhorar competências adquiridas, Carla Barros insistiu na exigência de ação a este governo. “O PS e este governo têm de se definir, se ficam refém do BE e PCP, que pretende destruir as leis laborais e o consequente desenvolvimento e crescimento do país, ou se quer ficar refém, mas bem ancorado, aos valores mais altos: de uma sociedade justa e equilibrada, de trabalhadores e de empresas, de famílias e de indivíduos, onde prevaleça o bem-estar para todos”. “Se para o PS e para este governo é uma dúvida, para o PSD é uma certeza, quer estejamos no poder ou na oposição, a nossa missão é servir o país com patriotismo, como fizemos nos 4 anos em que fomos governo e resgatamos o país da crise. Fica a certeza, de que faríamos muito melhor do que o que está a ser feito”.
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