No encerramento do debate sobre o Programa de Estabilidade e Programa Nacional de Reformas, Miguel Morgado referiu-se a um número de que vale a pena falar: o número zero. Segundo o Vice-Presidente da bancada do PSD o número zero regista-se em primeiro lugar na coerência estratégica do governo. “No início era a ideia peregrina de que o estímulo ao consumo traria a bonança económica. O fracasso dessa via não é reconhecido nas palavras do governo, mas é reconhecido no Programa de Estabilidade. O PSD avisou desde o primeiro momento que o caminho era pela via das exportações e do investimento e agora temos essa confissão expressa no Programa de Estabilidade”. Depois de elencar esta “cambalhota do governo”, o social-democrata frisou que o zero surge novamente quando falamos de reformas. “Já se torna um ritual estranho o Programa Nacional de Reformas sem qualquer reforma estrutural”, ironizou o deputado. Perante esta ausência de reformas, Miguel Morgado enfatizou que desta forma fica mais claro que os portugueses estão perante dois projetos políticos bem distintos: um, representado pelo PS, apoiado temporariamente pelas esquerdas mais radicais, e outro projeto representado pelo PSD. “Do lado do PS, temos um projeto de um poder hegemónico e patrimonialista que tem como máximas definidoras as inesquecíveis «quem se mete com o PS leva» e «o dinheiro do Estado é do PS». É um projeto de poder hegemónico e patrimonialista que visa tornar-nos a todos dependentes do partido governante. Do lado do PSD, temos um projeto oposto, de limitação de poder, de todos os poderes. Pela libertação e autonomia da sociedade civil e da economia, incluindo a independência das instituições. Do lado do PS e das esquerdas temos as agendas ideológicas sectárias, que não são mais do que desejos secretos de engenharias sociais catastróficas. Do lado do PSD temos o projeto da modernização reformista do país, recorrendo ao bom senso, ao equilíbrio, aos dados elementares da experiência de vida dos portugueses, das empresas, associações e suas instituições”. Perante estas diferenças fundamentais entre dois projetos políticos completamente distintos, conclui Miguel Morgado, “não haverá lugar para erros de perceção mútuos”.
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