Depois de ouvir a intervenção inicial do Primeiro-Ministro no debate preparatório do próximo Conselho Europeu, Miguel Morgado concluiu que se trata de uma reunião para “cumprir calendário”. Admitindo que a informação que tem pode estar desatualizada, pois foram recolhidas na imprensa europeia, uma vez que o governo se deve ter esquecido de enviar para os partidos o Projeto de Conclusões, o Vice-Presidente da bancada do PSD apelou ao governo para compensar essa “amnésia permanente” e passar a enviar as informações atempadamente. De seguida, o social-democrata referiu que o Livro Branco e a reunião que ocorreu esta semana entre os Chefes de Estado e de Governo da Alemanha, França, Espanha e Itália levam a que a ameaça da criação de um diretório volte a pairar. Dessa reunião resultou a ideia, refere o parlamentar, de que a Europa deve caminhar a várias velocidades. “É muito importante perceber o que é que isto significa. Eu admito que esta indefinição possa ter afetado o governo, ainda ontem o Ministro das Finanças dizia que Portugal rejeitava uma Europa a várias velocidades e, não muitos minutos depois, o Primeiro-Ministro fazia uma declaração contrária a dizer que Portugal não temia uma Europa a várias velocidades e até queria estar no primeiro pelotão de um projeto desse tipo”. Dirigindo-se a António Costa, Miguel Morgado afirmou que “nós temos de ser muito cautelosos se o desejo de pertencer ao pelotão da frente representa colocar o país perante uma escolha falsa entre o retrocesso de integração ou a construção de um super-Estado federal. E quanto a isso, nós temos de dizer já que essa escolha é falsa. Nós sabemos exatamente quais são os problemas exatos dos europeus, quais são as melhores soluções para os debelar, sabemos quais são as necessidades amplamente diagnosticadas e discutidas e é para aí que temos de caminhar”. A terminar, Miguel Morgado afirmou que se no futuro esta cimeira do diretório se vier a revelar apenas “uma fuga para a sempre”, é preciso perceber que “uma fuga para a sempre” é sempre uma fuga e que a imagem será de desconfiança, ressentimento e fraqueza.
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