José António Salcedo, CEO da Multiwave Photonics, veio às Jornadas Parlamentares do PSD falar sobre qualificação, empreendedorismo e criação de riqueza. Este empreendedor deixou em Espinho a receita para a produção de riqueza em Portugal: ter coragem de estabelecer como estratégia nacional uma sociedade de conhecimento, afastar o Estado da intervenção executiva na Economia e criar “uma malha de empresas nativas, nascidas em Portugal, a partir da população resiliente. É de resiliência que o País precisa”.
Caracterizando a Multiwave Photonics como uma “empresa jovem que compete com empresas dez vezes maiores que nós, com capital próprio e sem dívidas”, António Salcedo considera que o segredo para o sucesso está na Inovação e a Inovação é, segundo a sua definição, “o processo criativo de exploração económica de conhecimento, que permite criar mais valor. A maior riqueza cria-se quando o processo educativo funciona bem. A passagem de conhecimento a riqueza é muito simples, através da inovação”.
Durante este processo o Estado não deve interferir mais do que são as suas responsabilidades, ou seja, ser fiscalizador e agente catalisador de desenvolvimento, “no fundo deve ser descentralizador”, considerou António Salcedo.
No fundo também deve tornar-se o Estado mais eficaz e exigir deste uma visão estratégica, mantendo uma dimensão reduzida. Para o conseguir, os partidos devem assumir que os problemas mais sérios não são partidários, mas sim nacionais.
O CEO da Multiwave Photonics deixou, com a sua intervenção, aquelas que considera as linhas estratégicas essenciais que o País deve seguir:
Em primeiro lugar, dotar o País de uma malha de PME. Estimular o desenvolvimento dessa malha de empresas nativas a partir da população resiliente.
Em segundo, promover e apoiar o empreendedorismo com ênfase nas novas gerações e nas pessoas mais qualificadas. Criar oportunidades de trabalho onde as pessoas possam desenvolver as suas capacidades.
Em terceiro lugar, atrair empreendedores internacionais que venham para Portugal criar empresas. Aqui António Salcedo considera que “já chega trazer trabalhadores não qualificados para as obras públicas. É a maior estupidez! A índia e a china estão a enviar estudantes para as melhores universidades e eles voltam. Portugal deve ter uma política de repatriação de quadros altamente qualificados”.
Em quarto lugar, continuar com uma política de apoio às empresas, desde que esse apoio seja em massa cinzenta nativa. “Só criamos uma sociedade resiliente quando potenciamos o que está dentro da cabeça das pessoas”, defende António Salcedo.
Em quinto lugar, a revisão do sistema de ensino. Este deve ser exigente, baseado no mérito, e com uma forte componente de experimentação. Apostando na ciência e nas artes. A educação deve ser mérito e, por isso, António Salcedo defende que “o ensino superior deve ser um privilégio para os que demonstrem capacidade e mérito para lá estar e deve ter uma componente técnica operacional muito grande”.