Miguel Morgado lembrou ao Ministro das Finanças que os maiores ativos que um Ministro das Finanças pode ter são a sua credibilidade e o seu sentido de responsabilidade. “Um Ministro das Finanças que troca isto por outra coisa qualquer fica sem nada”, frisou o deputado, acrescentando que as intervenções de Mário Centeno, invariavelmente, “são marcadas por uma lógica de terra queimada, de sectarismo extremos, uma sequência de truques e mistificações”. No debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2017, o Vice-Presidente da bancada do PSD recordou que, no dia anterior, o Ministro das Finanças recorreu a Camões para atacar o PSD: “aquela cativa que me tem cativo, porque nela vivo já não quer que viva”. Contudo, adianta o deputado, os versos citados dão toda a razão ao PSD para condenar a “violação grave” de um dever que nenhum dos seus antecessores se atreveu a violar. “Apesar de os estar a ler em voz alta, não se apercebeu do significado dos versos. Porque de si para si, o senhor estava a dizer outros versos. Versos que dizem qualquer coisa como isto: «se não queres assumir a responsabilidade da tua governação, ataca sem freios a oposição»”. De seguida, o parlamentar frisou que “este Orçamento é a certidão de óbito” da estratégia económica do Ministro das Finanças. Sublinhando que esta estratégia falhou no investimento, no crescimento da economia, no consumo, no crescimento no rendimento disponível das famílias, o social-democrata enfatizou que o Executivo não tem nenhuma alternativa.
Depois de elencar os vários embustes que o Executivo procurou criar com o Orçamento e de desmontar os truques que Mário Centeno procurou utilizar, Miguel Morgado frisou que “Camões com Camões se paga” e conclui citando as palavras do poeta: “e sou já do que fui tão diferente, que, quando por meu nome alguém me chama, pasmo, quando conheço, que ainda comigo mesmo me pareço”, disse. |