No primeiro debate sobre o Estado da Nação desta nova maioria, Pedro Passos Coelho começou por cumprimentar o Governo e o Primeiro-Ministro por, até hoje, ter tido uma maioria que se tem mostrado coesa e operativa. Sublinhando que as consequências dessa coesão serão mais tarde conhecidas, o líder do PSD prosseguiu a sua intervenção lembrando o ponto de partida deste Governo e lamentando que António Costa tenha procurado reinterpretar a história. Segundo Passos Coelho, no início desta legislatura o país estava confinante de ter encerrado um dos períodos mais difíceis e de ter invertido as tendências que originaram essa situação. “Conseguimos fazer uma correção das contas públicas, conseguimos recuperar economicamente a situação do país, tivemos lugar a alguma recuperação da poupança e lançou-se um conjunto de reformas estruturais importantes para que o país ganhasse competitividade e pudesse sustentar o crescimento para futuro. A situação comportava desequilíbrios e riscos importantes, sabemos que tínhamos e temos o desemprego demasiado elevado, temos níveis de dívida pública e privada significativos, o que significa que numa visão de médio e longo prazo os grandes objetivos deviam ser razoavelmente inquestionáveis. O país devia seguir uma via de desendividamento, devíamos aprofundar as reformas estruturais de maneira a ter uma economia ainda mais aberta e competitiva, precisávamos de atrair e dinamizar o investimento e intensificar o emprego, reforçar a poupança, prosseguir o saneamento financeiro e a consolidação das finanças públicas”. Contudo, adianta o social-democrata, o Governo e esta maioria fixaram-se no curto prazo e na retórica da inversão da austeridade. “Prometeram um modelo de crescimento económico que era dinamizado pelo consumo e que permitiria um crescimento assente também no investimento público que geraria uma economia mais pujante e mais emprego. Hoje, olhamos para os resultados e sabemos que o desendividamento não chegou a acontecer, as reformas estruturais têm sido revertidas e outras com promessas de reversão, o investimento tem caído a pique e o emprego ou estagna ou destrói-se. Exacerbamos riscos orçamentais, adiamos despesas e aumentam os atrasados. Tudo ao contrário do que era estrategicamente importante para o país”. Face a este cenário, Pedro Passos Coelho é perentório a afirmar que o resultado é claro: “o país está a andar para trás”. “Não vale a pena estar com desculpas esfarrapadas, nem vale a pena estar a ensaiar a rescrição da história, os responsáveis desta maioria carregarão o fardo de terem desperdiçado a oportunidade histórica de recuperar de uma situação muito difícil”, concluiu.
|