Luís Montenegro declarou, esta quarta-feira, que em apenas um ano “foi possível restaurar a credibilidade em Portugal”. No debate sobre o Estado da Nação o líder parlamentar do PSD começou por se dirigir a António José Seguro que criticou o caminho que o país seguiu no último ano e quis fazer crer que todas as dificuldades e receios dos portugueses tiveram origem nas medidas de austeridade deste Governo. Dirigindo-se ao socialista, o social-democrata recordou que, por exemplo em relação ao desemprego, este não é um problema de hoje pois entre 2008 e 2010 perderam-se cerca de 300 mil empregos em Portugal, numa altura em que o Governo socialista prometia mais 150 mil postos de trabalho.
De seguida, o parlamentar lembrou que os cortes que estão a ser efetuados nos principais serviços públicos com a sua restruturação. “Por exemplo, na área da saúde estamos a poupar, com medidas que podiam e deviam ter sido tomadas anteriormente, cerca de 350 milhões de euros por ano, na energia cerca de 180 milhões de euros por ano. O que teria acontecido se essas medidas tivessem sido tomadas há 4 ou 5 anos? Seria necessário tomar medidas tão castigadoras hoje”, questionou Luís Montenegro.
“Chega a ser confrangedor ver o líder do PS falar dos reflexos da austeridade, a austeridade inteligente do PS. Já se esqueceram do aumento do IVA de 20% para 23%, o aumento do IRS no terceiro e quarto escalões, a baixa do subsídio de desemprego, a introdução das portagens nas SCUT, a baixa de salários na administração pública, o congelamento das progressões e promoções na administração pública, o congelamento das pensões mínimas, a retirada do abono de família. Qual foi o reflexo desta política de austeridade? Foi chegarmos a 2011 e o PS foi de mão estendida pedir ajuda para podermos cumprir as nossas obrigações”.
No que diz respeito à ação do Governo, o líder da bancada “laranja” lembrou que já foram lançadas várias reformas estruturais: na administração pública, na saúde, na educação, nos transportes, na administração local. Reformas essas, acrescenta, que também deviam comprometer o PS mas os socialistas decidiram ignorar o caminho que o país está a percorrer.
A concluir a sua intervenção, Luís Montenegro reconheceu que o PSD tem a consciência que o caminho é difícil, “mas também é verdade que prometemos e cumprimos: não deixamos ninguém para trás. Implementamos um programa de emergência social que não deixou ninguém para trás”. |