Os deputados do PSD eleitos por Braga apresentaram, na Assembleia da República, uma Pergunta sobre o Turismo Religioso e os Caminhos de Santiago. No documento dirigido ao Ministro da Economia, os parlamentares recordam que, embora nos últimos tempos se tenha começado a falar e escrever sobre a necessidade de alterar a estratégia nacional do turismo, ainda excessivamente assente no modelo "sol & praia", a verdade é que, até hoje, o nosso país continua muito dependente de um modelo de turismo que não combate eficazmente a sazonalidade. “Segmentos como o turismo religioso mereceriam um outro olhar e aposta por parte do Governo da República. Quanto mais não fosse porque cerca de 3/4 do património material e imaterial português se calcula ser religioso, entre igrejas, mosteiros, sinagogas, arte sacra, etc. Já hoje se estima que o turismo religioso corresponde a um total de 10% do movimento turístico em Portugal. Só o Santuário de Fátima, acolhe anualmente peregrinos oriundos de 140 países. Sendo verdade que, como o próprio Turismo de Portugal e a Associação Mundial de Turismo Religioso reconhecem, os dados existentes estão longe de serem totalmente fidedignos, estima-se que além de Fátima, com os seus mais de 5 milhões visitantes anuais, destinos como o Bom Jesus de Braga, Sameiro e São Bento da Porta Aberta atrairão cerca de um milhão de visitantes anuais. O Santuário da Nossa Senhora da Penha em Guimarães atrai igualmente um número significativo de visitantes. Mas também em Portugal se nota o efeito positivo de um outro centro religioso peninsular: Santiago de Compostela. A seguir ao chamado Caminho Francês de Santiago, é o Caminho Português Central de Santiago, com mais de 30 mil peregrinos anuais, que mais pessoas atrai”. Os parlamentares lembram, ainda, que desde a Idade Média que o Caminho Português Central de Santiago tem vindo a ser percorrido por milhares e milhares de peregrinos e, desde o séc. XI tem vindo a afirmar-se. Face a este historial e a todo o potencial deste Turismo, os social-democratas questionam qual o grau de importância que o Governo confere ao Turismo religioso, se o Executivo admite corrigir o incompreensível esquecimento deste segmento enquanto polo fundamental de uma aposta nacional nesta área de atividade e qual a estratégia que o Governo está a preparar ou tem preparada para a promoção turística desta via. Tendo tido conhecimento de que poderá estar a haver alguma "dissonância" no tipo de aproveitamento que alguns agentes institucionais, autárquicos e turísticos, estarão a dar aos Caminhos de Santiago, privilegiando outros caminhos alternativos em detrimento do tradicional e mais conhecido Caminho Português Central de Santiago, os deputados perguntam se o Governo conhecimento desta situação. Por fim, e considerando que o Caminho Francês de Santiago foi classificado Itinerário Cultural Europeu e o seu repositório cultural é hoje Património da Humanidade, com todo o significado cultural, e até potencial económico, que essas classificações encerram, questionam se encara o Governo a possibilidade de encetar esforços no sentido de também o Caminho Central (Português ) a Santiago ser classificado como Património Imaterial da Humanidade.
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